O Brasil quer se juntar a outros países emergentes, também chamados de terceiro mundo, para resistir ao imperialismo. A política externa brasileira é de um alinhamento automático aos Estados Unidos. Isso nasce quando o dólar substitui a libra inglesa no comércio mundial, depois da Primeira Grande Guerra. O Brasil procura manter uma balança comercial favorável para estocar moedas estrangeiras e bancar as importações de produtos com alto valor agregado. Vender produtos primários, que futuramente serão conhecidos como commodities, é enxugar gelo, dizem os economistas de uma linha mais crítica.
Depois de prefeito da maior cidade do Brasil e governador do estado economicamente mais poderoso, só resta agora chegar à presidência da República. São Paulo é o trampolim mais importante para chegar à Brasília. É verdade que ele não é paulista de nascimento, o que pode atrapalhar o gosto do bairrismo local. Mas estudou e iniciou uma carreira de sucesso na cidade de São Paulo, e ninguém se lembra disso. O primeiro salto é a prefeitura da cidade economicamente mais importante do Brasil. Sua aparição em obras públicas, incertas nas repartições da prefeitura e constante espaço na mídia garantem prestígio e votos para continuar.
Ele manda mais do que o presidente da República. É isso que se cochicha nos corredores do palácio do Poder Executivo. O político vem de uma região longínqua do Brasil, mas graças a sua habilidade de negociação, é muito influente na capital do país. A imprensa cobre seus passos, fazem entrevistas que sempre dão uma chamada na primeira página. E contribui para aumentar o número de inimigos. A concentração do poder não está mais tão fácil para as bancadas mais numerosas de deputados paulistas e mineiros.
O Brasil está de olho na Copa do Mundo. Até funcionários públicos ganham feriado nos dias de jogos da seleção. Os jornalistas esportivos se preparam para os jogos mais importantes com acompanhamento dos treinamentos e a avaliação dos adversários do Brasil no campeonato mundial. Há uma bolsa de apostas e a seleção nacional está bem cotada. É uma das favoritas para levar o caneco e dar ao povo uma alegria inédita.
A oposição diz que não vai dar certo. Mais uma vez os pobres serão deixados de lado e só os ricos serão protegidos. O principal alvo das críticas é o grupo conhecido como Centrão, ou seja, um aglomerado de deputados e senadores sem qualquer compromisso com propostas, mas com as verbas que possam carrear para os seus currais eleitorais. São alimentadores de caciques locais famintos por verbas com as quais podem iludir a população e se perpetuar no controle das prefeituras. A pirâmide política tem o fisiologismo e o compadrismo como sustentáculos de dominação.
Dá prestígio ter um encontro com o papa. E votos. Chama a atenção da comunidade católica de todo mundo. O impacto é maior no Brasil que, por tradição, até escolheu o catolicismo como religião oficial do Estado no período imperial. Só com o advento da República houve a separação entre a Igreja e o Estado. Ainda assim, a figura do papa tem uma força simbólica forte, haja vista que os evangélicos ainda se organizam em várias confissões. Até a década de 1970, nos eventos governamentais, dava-se destaque a um representante da igreja católica. O mestre de cerimônia anunciava a presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas.