Marketeiros estão de cabelo em pé. São cobrados diariamente e responsabilizados pela queda e/ou aprovação do governo. E são pagos para melhorar a imagem especialmente do presidente, haja vista que no imaginário do povo brasileiro o governo federal é centrado no presidente da República. Lutar contra a inflação, o dragão da maldade, não é para qualquer profissional de comunicação. O que dizer para a população que chega ao supermercado e os preços de hoje não são mais os de ontem? O agravante é que o presidente se isenta de culpa, usa a velha tática de transferir o problema para o governante anterior e fala que recebeu uma “herança maldita”.
Economia se torna o principal tema do debate político do Brasil. Oposição e governo têm pontos de vista contrários. Um propõe mais uma reforma, o outro lado diz que o Estado deve taxar os mais ricos para promover uma distribuição de renda e mitigar os efeitos da fome, falta de moradias e assistência médica. O mínimo necessário para a dignidade humana. No passado, um ministro defendeu a ideia de que primeiro era preciso aumentar o bolo da economia para depois dividi-lo. Nem houve crescimento, nem distribuição da iguaria. Há quem opte pela liberação da economia, com menos leis e intervenção do Estado. O fato é que a inflação corre solta, enquanto se discute a melhor saída que não seja o aeroporto.
Precisar de muito dinheiro. O Congresso americano discute um investimento enorme para impedir que o avanço russo continue. Há um temor que um novo polo geopolítico desafie a supremacia dos Estados Unidos. Este é liderado pela Rússia, que conta com apoio espalhado pelo mundo por meio de organizações financiadas por Moscou. Muitas delas estão baseadas na América Latina, uma região considerada área de influência exclusiva dos norte-americanos, desde a edição da chamada doutrina Monroe, ainda no século 19.
Itamaraty não toma partido. Diante de uma invasão com o mais poderoso exército do mundo, o mínimo que se espera é uma condenação do Brasil. Nada. O Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia tupiniquim, deve estar dando voltas na tumba, dizem os comentaristas políticos na imprensa. O noticiário diz que cidades são arrasadas e a população civil é massacrada. Nem crianças e mulheres escapam. A fúria da vitória a qualquer custa se processa com a prisão de governantes das vilas e cidades, que são sumariamente fuzilados. Não querem colaborar, são “sabotadores” divulga a propaganda do exército invasor.
A questão é se o governo vai controlar os meios de comunicação. Os jornalistas sabem que há risco em fazer jornalismo. Além das ameaças físicas, suspensão das verbas publicitárias do governo, há também processos no Judiciário. Em um momento em que no Brasil não há equilíbrio entre os poderes, os processos são conduzidos de acordo com sua capa, ou seja, a Justiça deixa de ser cega e passa a punir, ou perseguir, os que ousam em continuar divulgando notícias que não interessam ao presidente. O risco é maior quando a Constituição é rasgada, e o que prevalece é o interesse do Poder Executivo.
O Poder Moderador é ambicionado pelo Poder Executivo. Isso não é novidade na América Latina, onde o poder é concentrado nas mãos de um chefe, um caudilho que se arroga o direito de governar sem se submeter ao Poder Legislativo. A população não tem educação política e pouco se importa com a democracia. Quer segurança, estabilidade e, se possível, as benesses que pingam do poder público na forma de escolas precárias, poucos postos de saúde e estradas intrafegáveis na época de chuva