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Os sabores holandeses na 34ª Expoflora - culinária típica é revivida e reinventada a cada nova edição do evento

Repórter Michele Roza

Os sabores, assim como os cheiros, nos proporcionam boas sensações e até mesmo nos contam histórias por meio das lembranças que despertam na memória. Em Holambra, cidade do interior de São Paulo, antiga colônia holandesa, por exemplo, a culinária típica é revivida e reinventada a cada dia pelos descendentes e degustada com muito apreço pelos turistas.

 

Anualmente, Holambra recebe a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina: a Expoflora. Desd

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e 1981, o evento agita a entrada da primavera com muita cor, perfume e encanto pelas ruas da pequena e acolhedora cidade de pouco mais de 11 mil habitantes que chega a receber 300 mil visitantes nessa época.

“Holambra é turismo o ano inteiro”, é o que afirma Paulo Fernandes, membro da comissão organizadora do evento. “A Expoflora é uma vitrine do melhor a se provar, é o veículo que torna público tudo aquilo que a cidade oferece também na parte gastronômica. Já somos um polo gastronômico. O evento se notabiliza por ter essa variedade de produtos que podem ser consumidos. A gente procura traduzir isso com as nossas iniciativas, como unir as temáticas flores, sabores e sensações”, reitera.

Sabores holandeses:

Nessa 34ª edição da Expoflora, o tema escolhido foi “Flores, Sabores e Sensações”. Hoje, destacamos alguns dos principais sabores holandeses representados pelos pratos doces e salgados da tradicional confeitaria-restaurante Martin Holandesa, fundada há exatos 60 anos, em 1955, pelos imigrantes Martin (confeiteiro formado na Holanda) e Diny Gerritsen.

Martin começou como funcionário da cooperativa de Holambra (de flores), mas logo se viu como o único confeiteiro e padeiro da comunidade, chegando a fazer entregas de charrete para as famílias que moravam em sítios mais distantes do centro da cidade.

O chef Frank Martin Gerritsen, filho mais velho do casal, seguiu os passos do pai e em 1988 assumiu a parceria dos negócios. Ele viajou muito fazendo estágios na Holanda, sempre trazendo novidades do país do qual descende. A partir de 2013, a Martin Holandesa passou a receber estudantes holandeses de gastronomia para um período de estágio no Brasil. Quem saiu ganhando com isso foi a Expoflora que, agora, todo ano, lança novidades criadas pelos aprendizes com a supervisão do chef Frank. Ele nos conta que a intenção é sair do trivial e apresentar as verdadeiras origens sem perder o toque especial.

 

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“O desafio é (re)inventar um doce típico da Holanda e lançar durante o evento visando também agraciar o paladar do brasileiro. Porque, a torta holandesa como conhecemos no Brasil, por exemplo, na verdade foi criada em Campinas para atender as churrascarias da região. Então fizeram uma torta com a base feita de creme de leite pasteurizado (um ingrediente que não tem na Holanda, pois, lá eles usam somente o creme de leite fresco) e a apelidaram de ‘torta holandesa’. Mas, a verdadeira torta típica da Holanda é a de maçã”, conta.

Stroopwafels e Bavaroise:

Para essa edição, os estudantes inovaram duas vezes. Eles trocaram os já conhecidos biscoitos tipo amanteigados e cobertos de chocolate que encontramos no entorno das tortas holandesas “brasileiras” por stroopwafels, wafles recheados com caramelo.

Os stroopwafels foram criados, no início de século XIX, por um padeiro, com as sobras de diversas bolachas da produção (migalhas) adoçadas com caramelo. No século XX, as fábricas também começaram a produzir os stroopwafels. No entanto, até hoje, eles são produzidos artesanalmente em feiras abertas de rua na Holanda, assim como podemos encontrar na Expoflora. A dica é colocar um stroopwafel apoiado na borda de uma caneca de café, chá ou chocolate quente e deixar que o vapor o deixe ainda mais macio e derreta o caramelo.

 

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A grande carta na manga dos jovens chefs vindos da Holanda para estagiar no Brasil é o “Bavaroise Stroopwafel”, um mousse de creme de leite fresco batido, com uma textura muito lisa e cremosa, aqui nessa receita, feito com chocolate branco e pedaços de stroopwafels coberto com caramelo. Segundo Frank, o doce é originário da Bavária, na Alemanha, mas se “afrancesou” e, então, virou europeu. No eixo Bélgica - Alemanha – Holanda, o Bavaroise é muito difundido.

Temaki holandês e peixe com batata:

Além dos doces, os pratos salgados também são de dar água na boca. A culinária holandesa, tradicionalmente, não vive apenas de carne de porco, batatas e salsichões. Graças aos diques e moinhos, a Holanda dominou o mar, além de que os holandeses são grandes navegadores, característica que teve influência na gastronomia, com a presença de peixes e frutos do mar em diversos pratos.

O haring, por exemplo, é um peixe dos países nórdicos muito consumidos na Holanda. O modo de preparo dele é todo especial, tendo o peixe que ser marinado com vinagre e especiarias durante 15 dias, para assim ficar com um sabor bem apurado.

Mas, o chef Frank nos conta que quando os imigrantes holandeses chegaram ao Brasil, por causa da dificuldade de se importar e encontrar esse peixe, ele foi substituído pelas donas de casa, em Holambra, pela sardinha. De qualquer forma, os pratos com peixes são muito famosos em Holambra, como o Vis en Friet (peixe frito com batata) e o Zure haring (peixe marinado), que, geralmente, nas cidades como Amsterdam, capital dos países baixos, são comercializados nas ruas em trailers (food trucks).

 

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Aliás, peixe marinado lembrou algo da gastronomia japonesa? Pois bem, Frank também inovou fazendo esse ano o temaki holandês. “Na Europa e nos Estados Unidos, eu observei que o temaki não era tão difundido quanto no Brasil, porém, estava sim presente na gastronomia local. Então, na Holanda, eu vi um temaki adaptado ao paladar holandês. Um cone de alga com queijo gouda (o mais famoso queijo holandês, feito do leite da vaca) gratinado, mostarda holandesa e salmão”, disse.

Essa combinação no mínimo muito interessante é um dos lançamentos da Expoflora, lugar onde podemos degustar também outros quitutes já tradicionais e que são servidos durante todo o ano na cidade do interior paulista.

“Holambra atualmente está bem forte na parte gastronômica e é um grande chamariz para a visitação turística. Aos finais de semana, por exemplo, 80% da nossa clientela do restaurante-confeitaria, localizado no centro da cidade, é do pessoal da capital, que viaja 150 km para vir nos visitar”, finaliza o chef Frank.

Fotos: Michele Roza e Divulgação

Michele Roza. Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e Pós-graduanda em Cinema Documentário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Iniciou a carreira na assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e atuou na redação e produção de programas e telejornais no Canal de São Paulo / BlueTV. Desde 2010, trabalha em jornal impresso e online para uma instituição de representação internacional, e também colabora com revistas e sites. Sua primeira coprodução audiovisual, o documentário "Muro", está disponível no Youtube e Vimeo

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Rosângela Cianci

Rosângela Cianci. Jornalista, blogueira, repórter, apresentadora, produtora de TV e idealizadora do site Universo de Rose. Incansável observadora do cotidiano, apaixonada pelo que faz. Ex-Secretária Executiva, sempre lidou com Diretoria e Presidência mas prestes a completar Bodas de Prata na área, resolveu desengavetar um sonho antigo: o Jornalismo. E partiu pra nova luta com 40 (e uns anos), "pois meu negócio é escrever e conversar sobre assuntos de A a Z"...

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