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Chef Bel Coelho conquista paladares da Europa com sabores brasileiros

Na última terça-feira, 23 de junho, a Doria Editora lançou a 4ª edição da revista Caviar, que traz a estampa da chef Bel Coelho na capa como você nunca viu. Com 19 anos dedicados à gastronomia, ela defende uma gastronomia descomplicada para os novos tempos, fala sobre a paixão pelo ofício e abre a sua cozinha para mostrar os bastidores de seu evento Clandestino no qual oferece uma cozinha mais autoral num projeto ousado - uma casa escondida na Vila Madalena onde cria pratos elaborados com sabores únicos e brasileiros cheio de samba e swing e serve para um número exclusivo de 20 clientes por jantar.

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Com apenas 16 anos, ao ler uma entrevista sobre gastronomia, a aprendiz de Chef entendeu que o seu gosto por ficar às voltas na cozinha com as mulheres da casa tinha um nome e era, inclusive, uma profissão: a de chef de cozinha.    “li uma reportagem de um cara que fez uma faculdade de gastronomia e aquilo me deu um ‘click’. Eu já cozinhava em casa, com a cozinheira, com minha tia-avó, minha avó, e aí eu disse: nossa, isso pode ser uma profissão”, explica Bel.

De lá pra cá, Bel experimentou uma verdadeira explosão de viagens gastronômicas! Ela comenta que estava cursando psicologia mas trancou a vaga na faculdade para se dedicar à área de sua paixão. “Fiquei fora dois anos para fazer faculdade, e depois mais dois para trabalhar. Sempre com um motivo específico. Em Nova York tinha a faculdade que eu queria fazer, na Espanha estava fervendo a cena gastronômica em 2006. Fui pra Portugal, fui pra França também”.

Bel Coelho começou a carreira como estagiária de Laurent Suadeau e no Fasano. Fora do País, cursou o Culinary Institute of America (CIA) em Nova York. Também teve a oportunidade de se inspirar na inquietude e brasilidade de Alex Atala, quando trabalhou no seu estrelado D.O.M. Comandou os menus de restaurantes reconhecidos como Madelleine (onde pela primeira vez assumiu o cargo de chef), Buddah Bar, El Celler de Can Roca na Espanha – considerado o melhor do mundo em 2013 pela revista britânica Restaurant e Sabuji, onde  recebeu o prêmio de Chef Revelação, oferecido pelo júri de Veja Comer & Beber SP em 2004 – época em que ela conheceu Paulo Martins, paraense considerado o embaixador da cozinha da Amazônia. “Aquilo me abriu um mundo”, revela. A Chef levou sua gastronomia para fora das fronteiras brasileiras: Inglaterra, Portugal, França e Espanha – onde trabalhou no El Celler Can Roca, com três estrelas no Guia Michelin.

Com um currículo recheado de experiências gastronômicas bem interessantes, a carismática Chef combina rigor e criatividade em receitas que valorizam os sabores brasileiros, paixão que levou também para a TV europeia como apresentadora da série de 20 episódios L’Assiette Brasilienne (prato brasileiro, em português) em "Receita de Viagem": 20 programas que passeiam por cozinhas distintas: dos Pampas, do Cerrado e do Pantanal, das ruas do Rio de Janeiro, dos imigrantes árabes, alemães, japoneses e portugueses, no canal por assinatura TLC – Travel & Living Channel, no Discovery.

“A primeira lista de lugares a visitar foi feita por mim e pelo diretor Herbert Henning (apesar desse nome é brasileiro), mas nós mandamos o roteiro para a França e de lá vieram uma série de sugestões”, diz Bell, produzido para o canal franco-germânico Arte e exibido no Brasil desde o início de 2015. A tônica do programa não são receitas gravadas em estúdio, mas os relatos de andanças da chef por mercados de rua, aldeias indígenas, fazendas e recantos que escondem produtores de ingredientes típicos do Brasil.

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Já o formato do Clandestino, seu atual e apaixonante projeto, nasceu anos atrás quando Bel era a chef e sócia do sofisticado restaurante Dui, nos jardins que fechou em 2013. Uma vez por semana, ela se dedicava ao preparo de um menu degustação em que fazia pessoalmente tudo, até a escolha da trilha sonora. Hoje, cozinhando principalmente para eventos, Bel só consegue dedicar dois dias do mês à elaboração das muitas etapas de cada jantar no Clandestino, realizado geralmente às sextas e sábados, apenas para quem reserva.

“O menu é longo, dá um trabalho fenomenal – e a conta quase não fecha, porque é pouca gente pagando”, revela a cozinheira, antecipando que pretende fazer uma “ação mais democrática na cozinha durante o dia. Uma cozinha aberta para a calçada, como um food truck, só que dentro de um imóvel, e com preços mais acessíveis. Não acho que dará muito dinheiro, mas quero que mais gente conheça o meu trabalho”, afirma.

Enquanto a ideia não sai do forno, Bel se diz plenamente realizada com o que faz. “É o que eu tenho de mais criativo, acrescenta, dizendo que continuará com a fórmula atual em paralelo a qualquer novidade que venha a implementar no Clandestino. “Eu adoro manter esse contato tão próximo, algo quase impossível em um restaurante convencional. Aqui eu vou a todas as mesas, converso, dou atenção, as pessoas se entregam”, resume.

O Clandestino não tem a formalidade de um restaurante. Consiste em uma cozinha bem equipada que se estende por um salão diminuto. Com poucas mesas e cadeiras distribuídas, uma estante cheia de livros de receitas, alguns quadros e fotos de pratos criados por Bel. A ambientação ganha luz de velas à noite, tornando o clima perfeito para apreciar (e degustar) as criações da jovem chef que aos 36 anos já passou metade de sua vida entre panelas e várias cozinhas pelo mundoUm bate-bola com a chef Bel Coelho para o Universo de Rose, que é só sorrisos:

Universo de Rose - Como é a sua rotina?

Bel Coelho - Depende do dia. Se eu não tenho um evento dentro ou fora de São Paulo, faço compras, participo da administração, de tudo. Na verdade, quando você é dono do restaurante você participa de muito mais processos do que só na cozinha (risos).

UR - Bel, o que você mais gosta de cozinhar?

BC – Gosto de experimentar tudo, misturar os temperos, criar, “viajar”...

UR – Qual o seu prato favorito?

BC -São vários (risos). É muito difícil, pois gosto de praticamente tudo, mas em especial picadinhos..., moqueca, tudo que envolve arroz, farofa, uma verdura e uma proteína eu gosto. Mas eu também amo comida japonesa, especialmente.

UR - Pelos países em que morou, qual você mais gostou?

BC – Ahh, Portugal e Espanha.

UR - Temperos básicos que usa no dia a dia e em qualquer cozinha?

BC - Alho e cebola. Vai praticamente em tudo. E o cheiro...

UR – O que você acha das tendências gastronômicas, os movimentos democráticos como “Restaurante Week”, “Comida de boteco” e “Chefs na Rua”?

BC - Acho interessante, é importante democratizar e deixar mais acessível para todo mundo. É bom para que os brasileiros conheçam mais a fundo as riquezas contidas aqui no Brasil.

UR – Na caminhada pelos caminhos da Gastronomia, em algum momento você pensou em desistir, especialmente nos momentos mais difíceis?belcoelho8

 

BC - Não, dúvida em relação a isso não. Às vezes eu me canso, é cansativo no sentido de que é uma profissão muito dura. Às vezes eu penso em formatos diferentes, mas nunca deixar de cozinhar.

UR – Como surgiu a ideia sobre o projeto Clandestino? O que ele traz para você em termos de desafio e prazer?

BC - É uma ideia minha. É tudo o que eu queria fazer, menu degustação é o que os chefs mais gostam de fazer. Porque tem um trabalho, uma cadência. Você pode desenvolver e exteriorizar toda a criatividade, é o mais interessante e mais bacana que um chef pode desenvolver.

UR - Qual ou quais foram os maiores desafios profissionais que você já viveu?

BC - Acho que abrir um restaurante meu foi um grande desafio. E quando eu morei fora foi um grande desafio também, fazer faculdade lá fora...

UR – O que torna um chef um profissional cinco estrelas na sua opinião?

BC –Paixão, persistência, amor, talento, organização, higiene e criatividade.

A CAVIAR é uma sofisticada revista que trata com alta qualificação do mercado de luxo no Brasil e no mundo. Alta gastronomia, design, estilo de vida, viagens, destinos gastronômicos, turismo, joias, tendências e objetos de desejo são destaques nesta publicação. As melhores grifes, chefs de cozinha premiados, estilistas badalados e restaurantes deseja dos por clientes exigentes no mundo inteiro completam suas matérias.

A CAVIAR circula em lojas, restaurantes e hotéis 5 estrelas dos Jardins e, para esse público exigente, ela reúne tudo que há de melhor no Brasil e no mundo”. A amplitude de temas no crescente ramo da gastronomia faz com que a publicação atenda a todos, desde os amantes de culinária até os mais renomados chefs.

Imagens: João Doria,  a talentosa chef @belcoelho, capa da Caviar 2015, a Miss Brasil @melissahgurgel, eu, Fernanda Spagnoulo, Carlos e Ricardo Mangold.

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Rosângela Cianci

Rosângela Cianci. Jornalista, blogueira, repórter, apresentadora, produtora de TV e idealizadora do site Universo de Rose. Incansável observadora do cotidiano, apaixonada pelo que faz. Ex-Secretária Executiva, sempre lidou com Diretoria e Presidência mas prestes a completar Bodas de Prata na área, resolveu desengavetar um sonho antigo: o Jornalismo. E partiu pra nova luta com 40 (e uns anos), "pois meu negócio é escrever e conversar sobre assuntos de A a Z"...

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