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Enquanto é tempo...

 

 “... acabam-se os nossos dias como um breve pensamento” - Salmo 90.9

Mesmo antes da escrita o fator tempo já era motivo de profunda reflexão. Na antiga Grécia os filósofos enxergavam a relação entre tempo e movimento. Nos tempos bíblicos, Salomão, o homem mais sábio do mundo, escreveu no livro de Eclesiastes 3.15: Aquilo que é, já foi... Mais recentemente, o poeta Pablo Neruda escreveu: “O amanhã é ontem”. E esse mistério do tempo continua até hoje a nos rondar.

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O advento do Cristianismo trouxe uma visão linear do tempo no sentido material, como descrito pela Bíblia: houve um início, no Gênesis, e haverá um final dos tempos, no Apocalipse, contrastando-se com a eternidade do Reino de Deus. E é nesse período em que habita na terra, que o ser humano deve usar a vida para se preparar para a eternidade.

A Bíblia dá ênfase tanto ao aproveitamento do tempo quanto à palavra adequada. Ambos se encaixam e se completam.

Os cônjuges precisam perceber essa verdade e colocá-la em prática entre si. Quanto tempo é gasto em teimas, gritarias e discordâncias ferrenhas que poderiam ser resolvidas com negociação e conversa objetiva!

Os pais precisam perceber essa orientação e aplicá-la no relacionamento com seus filhos. Assuntos eternos devem ser iniciados nesta esfera temporal.

Dentre as muitas reflexões existentes é dito que “viver é uma arte”. E para tanto, devemos aprender algumas técnicas de forma a aprimorá-la.

Voltemos, então, para Salomão. Em Eclesiastes 3.1-8 ele nos abre os olhos para perceber as diferentes fases da vida: Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu:... Tempo de chorar e tempo de rir... Tempo de procurar e tempo de desistir... Tempo de calar e tempo de falar... Tempo de lutar e tempo de viver em paz. E mais: Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo... A palavra a seu tempo, quão boa é! (Provérbios 25.11 e 15.23b).

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O tempo dos pais com os filhos pode ser, ao mesmo tempo, transmissão de conhecimento e divertimento. Aproveita-se um passeio ao Shopping para passar lições práticas de como lidar com dinheiro; brigas com coleguinhas de classe podem se tornar momentos de se mostrar a importância do pedir perdão ao ofendido, ou de perdoar a quem se ofendeu; um filme assistido juntos pode conduzir a uma conversa sobre pontos morais e éticos; uma crítica a um político corrupto pode conduzir a um papo sobre a importância da honestidade e integridade; a morte de uma pessoa serve para que comentemos a vulnerabilidade da vida e a necessidade de sermos sábios em nossas decisões, bem como uma conversa sobre a infinitude da alma. Enfim, precisamos enxergar as incontáveis ocasiões que estão a nosso dispor, repletas de oportunidades para passarmos ensinamentos.

Poderíamos ir longe, refletindo e filosofando em torno deste fascinante tema Tempo. Mas, por exclusiva falta de tempo, paremos por aqui. Para terminar, então, fecho com uma poesia do século dezessete, escrita por Antonio das Chagas, mas que bem poderia ter sido escrita ainda ontem:

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,

O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,

Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,

Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

 

 Matéria originalmente publicada na Revista Lar Cristão e adaptada com a devida autorização.

 

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