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Dia Mundial da Psoríase: dermatologista Cintia Otsubo explica sobre a doença

A psoríase é uma doença imuneinflamatória crônica da pele que afeta aproximadamente 3% da população mundial. É bastante frequente entre homens e mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 40 anos, podendo também ser diagnosticada em outras fases da vida. Até hoje não se sabem os motivos causadores da doença, mas pesquisas científicas demonstram que, em 30% dos casos, o fator genético está envolvido. No entanto, estresse emocional, traumas ou irritações na pele, infecções na garganta, distúrbios hormonais, consumo exagerado de álcool, baixa umidade do ar ou alguns medicamentos como lítio, betabloqueadores, anti-inflamatórios e antimaláricos, podem aumentar ou iniciar a doença.

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Segundo a dermatologista Cintia Otsubo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o fato, entretanto, é que a Psoríase não é uma doença apenas da pele. “Ela também acomete as articulações, sendo associada a diversas comorbidades (hipertensão, obesidade, infarto, colesterol aumentado, diabetes, artrite psoriásica, depressão, alcoolismo, ansiedade, entre outras) e pode manifestar-se de forma leve e moderada a grave. Embora não tenha cura e não seja contagiosa, é importante lembrar que a Psoríase é uma doença passível de controle”.

Recentemente, uma grande empresa farmacêutica em parceria com 26 centros de referência no diagnóstico e tratamento da psoríase em diferentes estados do Brasil, divulgou dados do estudo APPISOT*** (Avaliação da gravidade da psoríase em placas em brasileiros em acompanhamento ambulatorial em centros de referência), com 1.124 indivíduos com psoríase em placas e em tratamento. Esta foi a primeira pesquisa do tipo realizada no Brasil e inédita também na América Latina. Todos os pacientes foram avaliados por dermatologistas, especialistas em psoríase, em relação à gravidade da doença, tratamentos usados e em uso, impacto da doença na funcionalidade e qualidade de vida e presença de comorbidades.

Uma análise preliminar apontou que cerca de 50% dos pacientes avaliados apresentavam a doença na forma moderada a grave. Quanto às partes do corpo afetadas, 77% dos pacientes tinham placas nas pernas e coxas; 72% nos braços e pernas; 60% no tronco posterior; 56% no tronco anterior; 57% na cabeça e pescoço; 19% nos pés e 23% nas mãos. Outro dado interessante é que 25% dos entrevistados se declararam pardos e 6% negros, o que desmistifica a crença de que a psoríase acometeria somente indivíduos da raça branca/caucasianos.

De acordo com Cintia Otsubo, a Psoríase pode se manifestar de diferentes formas. São elas:

- Psoríase Vulgar (ou em placas): a forma mais comum, ocorrendo em 90% dos pacientes. Manifesta-se como placas avermelhadas e descamativas e de tamanhos variados, afetando geralmente cotovelos, joelhos e couro cabeludo.

- Psoríase em gotas: Mais comum em crianças, jovens e adultos, manifesta-se como pequenas pápulas (bolinhas) avermelhadas descamativas de 0,5 a 1 cm de diâmetro, distribuídas pelo tronco.

- Psoríase Eritrodérmica: vermelhidão intensa e generalizada com leve descamação. - Psoríase Pustulosa: lesões avermelhadas descamativas generalizadas ou pustulosas pelo corpo todo e de forma localizada.

- Psoríase Artropática: ocorre em 5 a 7% dos pacientes com psoríase. Apresenta alterações nas dobras dos dedos. 

Ainda segundo Cintia Otsubo, há outras formas atípicas da doença, como em crianças, que acomete geralmente uma única área como genital, a psoríase em idosos afetando os membros inferiores, a psoríase palmo plantar (nas mãos e pés) e Psoríase Ungueal (nas unhas). 

Tratamento: Para a dermatologista Cintia Otsubo, caso a doença seja adequadamente diagnosticada e tratada é possível minimizar a gravidade, suas complicações sistêmicas e melhorar e qualidade de vida dos pacientes e suas famílias. “Mesmo não havendo uma cura definitiva, há tratamentos que possibilitam o controle. Em muitos casos, quando o paciente apresenta quadros de estresse emocional, por exemplo, indicamos também um acompanhamento com psicólogos”.

Nos casos mais leves, são prescritos medicamentos tópicos como pomadas, loções, xampus ou géis. Em casos mais avançados, o tratamento pode ser sistêmico através da administração de alguns medicamentos como retinóides orais, metotrexate, ciclosporina e sessões de fototerapia (ultravioleta A e B) em clínica especializadas.

Os chamados medicamentos biológicos podem ser usados em alguns casos específicos, tais como intolerância ou fracasso à terapia sistêmica clássica, artrite psoriasica, pacientes com  grave deterioração da qualidade de vida ou incapacidade física ou psicossocial. “Estes são medicamentos de primeira linha, considerados apenas em casos específicos. O valor ainda é bem alto, mas apresentam grande melhora no tratamento e controle da doença”, explica Cintia Otsubo.

*** É importante destacar que os resultados do APPISOT refletem os dados de pacientes em acompanhamento em Centros de Referência em psoríase e não permite afirmar que do total de pacientes brasileiros com psoríase 50% têm doença moderada a grave.

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