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A atriz Débora Falabella, delicada e destemida, fala sobre seus trabalhos e a vida em família

Mãe presente, mulher independente, feminista, apaixonada pelo namorado e sem medo  algum  de envelhecer, ela é o retrato do agora

Atriz, Débora Falabella, é mineira de Belo Horizonte. Começou bem cedo. Aos doze anos, fazia teatro amador em Belo Horizonte, MG e  aos quinze participou  de sua primeira peça profissional, Flicts, do escritor Ziraldo. Estudou dramaturgia e até os dezoito anos, interpretou outras personagens infantis. Daí entrou na faculdade de Publicidade, cursou somente um ano e meio. Fez um teste para a Rede Globo para um cadastro de atores mineiros, e pouco tempo depois foi chamada para outro teste, desta vez era uma vaga em Malhação. Foi seu primeiro trabalho na TV.

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Começou a atuar em algumas peças de teatro, participou de três capítulos do seriado Mulher na Globo, passou no teste para atuar na telenovela infantil Chiquititas, no SBT. Não parou mais. Foram muitos papéis marcantes na TV. Débora já viveu grandes momentos na carreira que lhe deram repercussão nacional. A fama, apesar de “bastante complicada”, nunca chegou a ser exatamente um problema. “Não é todo mundo que lida bem com isso, não é fácil. Mas se você está mais ligada à arte, consegue respirar e ir – se não isso vira outra coisa”, explica.

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A atriz descarta qualquer tipo de preocupação com a proximidade dos 40, hoje aos 38 anos. Apesar de se declarar pouco vaidosa, conta o que faz para se manter sempre bem.  Para ela, a maturidade e o anos passados ajudam muito nesse processo. “A televisão tem uma ligação forte com a imagem e a novidade. Com o passar do tempo, você deixa de ser uma novidade para ser tratada como você é: uma atriz. Tenho gostado de pensar as personagens com mais calma e uma maturidade maior para entendê-las”, diz.

 

Débora  tem voz mansa, é conhecida pelo jeito doce, tímido, discreto. Seu porte pequeno, no entanto, leva a interpretações equivocadas. Não espere dessa mineira uma mulher condescendente. De passiva ela não tem nada. É uma mulher decidida, de opiniões firmes.

 

 

Mãe de Nina, de oito anos, com o roqueiro Chuck Hipolitho, Débora se separou com a filha ainda pequena e lidou bem com isso. Sabe, porém, que o machismo de décadas passadas ainda reverbera no presente. Para ela, isso é assunto a ser tratado com urgência – e radicalismo, sim.

 

Desde 2012, Débora namora o ator Murilo Benício, com quem já havia contracenado em “O Clone” e era seu então colega em “Avenida Brasil”, quando se envolveram. A arte volta a juntar os dois na série “Nada Será Como Antes” – e pela primeira vez como par romântico. A intimidade entre eles, diz Débora, só ajudou. “No início a gente se perguntou: Como vai ser isso? Mas já tínhamos trabalhado juntos, temos uma química boa, a gente gosta de contracenar.

 

Eles formam um casal do tipo que leva sempre trabalho pra casa. “Nosso trabalho invade muito nossa vida. Não é algo chato, é algo que nos alimenta e faz com que a gente entenda mais aqueles personagens e chegue ao set sabendo muito sobre aquela cena, a história que a gente ia contar. Nós temos uma relação de paixão com nosso trabalho”, comenta.

 

 

Vamos pra cena com a maior verdade do mundo e com essa consciência de fazer um casal que não é a gente. Mas que, ao mesmo tempo, é um casal apaixonado.” Apesar dos quatro anos juntos, Débora e Murilo ainda se chamam de namorados. Nada contra a instituição do casamento, ela observa. Apenas uma forma de viver. “Acho muito ruim rotular para os outros o que você é. Estamos juntos, somos companheiros. Rotular gera uma expectativa. E não queremos explorar essa vida de casado. É simplesmente uma relação”.

 

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Uma relação que deve se aprofundar mais neste ano, quando Débora, que mora em São Paulo, irá interromper a incessante ponte-aérea para estabelecer residência com a filha no Rio. E ela já chega com peça para estrear. Apesar de trabalhos marcantes na TV e no cinema, é no Grupo 3 de Teatro, fundado por ela, Gabriel Paiva e Yara de Novaes, que Débora exerce sua maior liberdade criativa.

 

Segundo Débora, ela tem curtido ver a vida passar.  E nos conta um pouquinho de seu estilo de vida, seu momento atual. Confira!

 

Universo de Rose – Débora, como você encontra a versatilidade para interpretar mulheres tão diferentes na ficção?

Débora Falabella – Conto  com a mãozinha da caracterização. Adoro fazer essas mudanças. Além de achar importante para a construção de um personagem, me divirto também. Adorei os cabelos curtos da Nina e o cabelo longo e loiro da Ray.

 (risos).

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UR – Como você mantem a boa forma e essa pele impecável?

DF – Tenho cuidados, mas sem exagero. Cuido sim, mas nada muito radical, visando a minha saúde, para envelhecer bem. As pessoas estão muito preocupadas com a idade. Tem que deixar o tempo chegar porque também é bonito envelhecer. Uma vez por ano vou ao dermatologista, sou relaxada com isso. Me cuido normal. Vou muito pouco à academia. Mas cuido da minha saúde, deixo o tempo vir.

 

UR – Em tempos de mulheres independentes, você conta com a ajuda de babá em casa?

DF – Sim! Não vejo problema algum em dividir com ela algumas tarefas que meu trabalho de vez em quando impede. O que eu acho complicado é a terceirização da educação e do afeto. A escola deveria ser uma extensão da educação (de casa). Porque isso é algo que cabe muito aos pais.

 

UR – Em tempos de uma geração adolescente cada vez mais antenada com as questões de gênero e sexualidade, como lida com isso?

DF – Defendo a liberdade como algo fundamental na formação do indivíduo. Antigamente, os pais influenciavam muito o comportamento social dos filhos. Cada vez mais, vejo que quero educar minha filha para ser quem ela quiser. Por isso, acho importante que essa liberdade também exista na escola em que ela estude, para ela ser, se vestir e se comportar da maneira que quiser.

 

UR – Como você lida com a variedade de temas?

DF – Determinados assuntos precisam ser colocados de forma radical. Por mais que se tenha a sensação de que isso está um pouco exagerado ou politicamente correto demais. Existem temas que são tão urgentes que, se não forem colocados de forma urgente também, acabam se esvaindo. Isso acontece em vários ângulos: além do machismo, também na questão da sexualidade das pessoas e na questão do gênero. Eu acho que a gente tem de tratar tudo isso de forma urgente.

 

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UR – E quanto ao machismo, você acha que ainda existe, Débora?

DF – É algo presente em todos os lugares – fora e dentro de casa. A gente sabe, por exemplo, desde muito tempo, de que realmente existe uma diferença de salário entre mulheres e homens. É uma luta diária, mas que eu vejo em todos os cantos e não só nessa questão. A própria maneira como a imprensa enxerga a mulher também é um ponto. Colocam sempre a mulher num ambiente íntimo em que o interesse é saber a vida pessoal, se ela vai ter filho, se ela vai casar ou não, o que faz pra ficar bonita. Com os homens, a vida íntima até aparece, mas se respeita mais, fala-se mais da carreira. E isso é uma questão não só da mídia, mas ainda dos assuntos de família.

 

UR – Fale um pouco sobre a peça “Love, Love, Love”...

DF – É um retrato de gerações, ambientada em três épocas diferentes. Várias décadas passam enquanto se acompanha a história de um casal de hippies dos anos 70. Eles criaram seus filhos de forma bem livre e hoje, às voltas com netos, buscam uma reflexão sobre educação. Um tema que eu vivo diariamente dentro de casa com a minha filha, Nina. É importante dar liberdade, mas também entender o que é guiar uma pessoa. Existe um equilíbrio aí, que não é fácil. É uma peça para refletir.

 

UR – Como você tem sentido o tempo passar, Débora?

DF – A gente vai descobrindo que é melhor do que a gente imaginava. Está um pouco difícil ser otimista nos tempos atuais, mas eu tenho enxergado muitas possibilidades à frente. Chega um momento da profissão que as coisas superficiais vão ficando pra trás, e você começa a ter uma calmaria que é muito boa. Ao olhar para trás, eu não imaginava tudo que aconteceria. As coisas foram acontecendo e eu fui acompanhando. Quando volto e me vejo em Belo Horizonte, ainda no teatro, nunca pensava que moraria em outra cidade. Acho que tive sorte e algum talento, mas acho que eu tive...”Uma luzinha“ - uma luz que foi me guiando para coisas muito legais.

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UR – Projetos novos?

DF – Além da série em cartaz na Globo e da nova peça para estrear, lanço um filme em dezembro – “O Filho Eterno”, baseado no premiado livro de Cristóvão Tezza, sobre a história da relação de um pai e seu filho com síndrome de Down. Ação!

 

A edição da  revista 29HORAS, publicação oficial e gratuita do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, destaca em sua matéria de capa entrevista exclusiva com Débora Falabella. A atriz fala sobre seus projetos profissionais, em como educa a filha Nina e sobre seu relacionamento sem rótulos com Murilo Benício. “...não queremos explorar essa vida de casado. É simplesmente uma relação” e completa sobre atuarem juntos na série “Nada Será Como Antes” da Globo, “Não é algo chato, é algo que nos alimenta e faz com que a gente entenda mais aqueles personagens e chegue ao set sabendo muito sobre aquela cena, a história que a gente ia contar.”.

No mercado desde 2009, a revista 29HORAS é uma publicação mensal dirigida exclusivamente aos passageiros que embarcam e desembarcam no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Auditada pela BDO, empresa especializada em auditoria e consultoria, a revista conta com 65 mil exemplares a cada edição.

Imagens: Divulgação Rede Globo / Instagram 

 

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Rosângela Cianci

Rosângela Cianci. Jornalista, blogueira, repórter, apresentadora, produtora de TV e idealizadora do site Universo de Rose. Incansável observadora do cotidiano, apaixonada pelo que faz. Ex-Secretária Executiva, sempre lidou com Diretoria e Presidência mas prestes a completar Bodas de Prata na área, resolveu desengavetar um sonho antigo: o Jornalismo. E partiu pra nova luta com 40 (e uns anos), "pois meu negócio é escrever e conversar sobre assuntos de A a Z"...

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