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“Pedro pelo mundo” e 29 horas em Nova York

Apresentador do programa Pedro pelo mundo -  no GNT, e parte da bancada do Manhattan Connection - no Globo News, Pedro Andrade mostra porque sua agenda precisa de 29 horas

O sonho dele era conhecer o mundo. Nascido há 38 anos em uma família de classe média na cidade de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, Pedro Andrade tem como grande inspiração sua avó, Dona Maria Thereza de Andrade, de 89 anos. Juntos, os dois subiam em um ônibus da Soletur e conheceram Foz de Iguaçu, a Cidade da Criança, em São Paulo, e outros lugares do Brasil que ainda leva na memória.

“Minha avó é uma mulher que saiu de São Luís do Maranhão sem dinheiro, e o pouco dinheiro que fez ela usou para viajar”, ele conta. “Ela sempre acreditou que bens materiais podiam evaporar, mas as viagens que você faz, a educação que tem, as pessoas que você conhece, essas coisas ficam. Ela me transmitiu que uma vida sem viagens não seria uma vida tão aproveitada”.

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Foi quando cursava o terceiro ano de jornalismo que o acaso traria a oportunidade da sua vida. Ao sair das praias de Ipanema usando óculos fundo de garrafa, o jovem foi parado por Sérgio Matos, diretor da agência de modelos 40 Graus, e pelo fotógrafo Mario Testino, que perguntaram se ele queria ser modelo.

“Eu nunca tive essa ambição na vida, do fundo do meu coração. E aí eles falaram ‘ah, você vai ganhar dinheiro, você vai ganhar fama’, eu não acreditei muito, nem fiquei impressionado. Mas aí, eu nunca vou esquecer, eles falaram: ‘mas você vai viajar’”. A decisão de largar a faculdade e a família foi difícil, mas o chamado para o mundo era mais forte.

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Como modelo, aos 19 anos, Pedro pôde conhecer vários destinos como França, Grécia, Tailândia, Inglaterra e, em especial, Nova York – sua paixão. Conforme escreve em “O melhor Guia de Nova York”, seu primeiro livro e best-seller, “NY vivia em mim muito antes de eu viver em NY”. Criança, ele pedia ao seu pai que colocasse a música “New York State of Mind”, do Billy Joel, assistia a filmes do Woody Allen e emoldurava foto do Empire State em seu quarto. Tudo que tivesse a ver com a cidade lhe gerava fascínio.

Então, quando se viu pisando na cidade que por tanto tempo alimentou sua imaginação, Pedro fez de tudo para que ela se tornasse a cidade da sua vida. E não foi fácil. “Se você acha que vai chegar em NY e terá a vida da Carrie Bradshaw do “Sex and The City”, não é assim que funciona”, ele pondera. “Eu tive que passar muito perrengue, morar em apartamento sem banheiro, trabalhei pendurando casaco, depois fui assistente de garçom, bartender, mas sempre procurando oportunidades como jornalista. Costumo dizer que eu não era um modelo querendo sucesso na moda, eu era um jornalista trabalhando como modelo”.

Mas se teve uma coisa que a experiência como modelo o ensinou foi a receber “não”, levantar e tentar outra vez. Nas dezenas de testes que ele participou, o script era esse: só negativas. Até que um site iniciante, o Code TV, gostou do teste de Pedro e o chamou para fazer matérias sobre a noite nova-iorquina. “Eu nem sou baladeiro e não saio muito, mas de algum jeito eu era talvez o mais barato, o mais experiente, a pessoa mais jovem que apareceu para fazer o teste”.

De lá, ele foi contratado para um outro site, chamado LXTV, comprado depois pela NBC local. Por isso, ele passou em pouco tempo de correspondente para âncora com programa próprio.

Em 2010, com seus 30 anos, Pedro ainda apresentava o “First Look” (NBC), falando sobre o lifestyle de Nova York. O programa passava nas telas dos aeroportos, táxis e aviões em horário nobre. Locais que faziam parte do dia a dia de Lucas Mendes, apresentador do “Manhattan Connection”, dominical do GloboNews. Logo aquele jornalista com nome de brasileiro chamou a atenção de Lucas, que convidou-o para participar de um programa.

Durante a entrevista, ao vivo, Lucas brincou dizendo: “pedro4

Pedro, você é a pessoa mais jovem que já pisou nessa bancada, mas se você quiser você tem uma cadeira cativa aqui”, ao que Pedro respondeu “ah, quem me dera!”. E não deu outra. Quando acabou a gravação, ligaram para ele oferecendo o emprego.

“E meio que da noite pro dia eu aceitei”, afirma Pedro, que deu uma revigorada no programa, trazendo assuntos atuais para as pautas de Nova York. “A aceitação não foi de cara. No início, o feedback foi ‘quem é esse moleque, esse modelo’, mas se tem uma dica que eu sempre dou é: aceite crítica construtiva, mesmo que dolorosa, com a cabeça aberta. Não leve para o pessoal. Isso faz parte da trajetória.

Saiba que você não vai agradar todo mundo. Aprendi muito mais com as críticas negativas do que com confete”. Há sete anos no “Manhattan Connection”, Pedro também não sumiu da programação norte-americana. Ao contrário, apresentou o reality show “On The Rocks” e foi correspondente do “Today Show”. Em 2013, foi contratado pela rede ABC para integrar o canal de variedades ABC Fusion em Miami, no qual comandou o matinal “Fusion Live” e entrevistou celebridades como Pelé, Michele Obama e Malala, entre outras.

“Não procure atalhos”, ele aconselha. “Sabe... eu acho que a gente tem uma ansiedade natural, eu costumo dizer que pelo menos o meu sucesso, até hoje, não deu para pegar elevador, foi degrau por degrau mesmo.

Se no “Manhattan” ele é a figura que traz dicas sobre a vida cultural em Nova York e na ABC ele é o entrevistador profissional, é em “Pedro pelo Mundo”, do GNT, estreado em 2016, que ele brilha. Concebido por ele, o programa não é meramente turístico, traz também questões e dilemas da sociedade. Para além de um programa de viagens, “Pedro pelo mundo” é um programa sobre pessoas. pedro7

“Mais do que a minha forma de viajar, ele reflete a forma como eu vivo”, Pedro explica. “São duas coisas que me definem: eu trato as pessoas de igual para igual, eu procuro buscar essa humanidade que fica no banco de trás, no carona da nossa vida. E a segunda é que sou muito curioso, não tenho ambição de saber nada. No “Pedro pelo Mundo” eu aprendo junto com o telespectador, aprendo quando estou entrevistando um refugiado da Coréia do Norte, o presidente do museu de bombas no Camboja, ou ainda uma estilista no México, uma ativista no Vietnã. As estrelas são as pessoas que eu entrevisto e as histórias que elas dividem com tanta generosidade. Não sou nem o remo, eu sou o cara que guia aquele barco”.

Feita com um time enxuto – Pedro e três profissionais que se revezam com duas câmeras, a gravação não intimida os entrevistados, o que acaba gerando o registro de momentos únicos. Um deles? A dona de um restaurante no Cairo, muçulmana, que revelou que fornecia alimentos aos manifestantes da Primavera Árabe. Ou então o episódio de Hanói descrito no começo da matéria, em que Pedro se meteu dentro de um esgoto com o ativista James Kendall, ajudando-o a retirar lixo de um rio poluído.

Em sua segunda temporada do programa, Pedro planeja uma terceira. Para ele, viajar é uma experiência: “A sociedade educa a gente a viajar com tudo muito planejado e, às vezes, por falta de tempo, você não quer arriscar, eu até entendo. Mas tente pelo menos um dia da sua viagem não fazer planos, ter como plano descobrir uma coisa que você não conhece, que não está nos guias. Acorde um dia mais cedo e ouça o som da manhã. Num outro dia, descubra a noite, dedique-se a descobrir a gastronomia. A vida é feita dessas pequenas revelações”.

29h em NY Com Pedro Andrade

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Pedro Andrade entre Caio Blinder e Lucas Mendes na bancada do Manhattan Conection

5h às 11h

“Em Manhattan tento caminhar no High Line Park. Após estas caminhadas, malho diariamente com minha personal, Dalila Kindermann. Se o dia estiver bonito o treino rola às margens do Rio Hudson. Impossível encontrar um pontapé inicial melhor.”

11h às 17h

“Poucos lugares no mundo oferecem uma fartura cultural comparável a NY. As opções são ilimitadas, mas algumas das minhas fontes de arte favoritas são o Metropolitan Museum, o Whitney, o Brooklyn Museum e a Gagosian Gallery. Seja lá qual for a temporada, a visita vale a pena.”

17h às 23h

“Um dos meus grandes defeitos é não saber cozinhar (acredito que ainda haja tempo de aprender), por isso, como fora quase toda noite. Também curto a energia das pessoas se reunindo para degustar algo especial... sempre que posso sento sozinho no bar, peço um martíni e observo o mundo ao redor. Meus restaurantes prediletos são Barbuto, Standard Grill, Polo Bar, Morandi, Augustine, Carbone e Indochine.”

23h às 29h

“Quando decido sair à noite, procuro frequentar lugares onde a diversão é garantida. Alguns dos melhores bares da cidade são o The Beekman, Raines Law Room, Boom Boom Room, The NoMad Bar, Little Branch e a cobertura do Wythe Hotel no Brooklyn.”

A edição de julho da Revista 29HORAS, publicação oficial e gratuita do Aeroporto de Congonhas (SP), destaca em sua capa entrevista exclusiva com Pedro Andrade o apresentador dos programas Pedro pelo Mundo, do canal GNT, e Manhattan Connection, do GloboNews. O jornalista conta que veste a camisa quando o assunto é o bem-estar do próximo e defende o seu comprometimento com trabalhos voluntários. A publicação também tem reportagem especial sobre Esporte e Turismo, com destinos e hotéis ideais para quem gosta de viajar e fazer exercícios físicos.

A revista conta com 65 mil exemplares a cada edição. A publicação mensal é dirigida exclusivamente aos passageiros que embarcam e desembarcam no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Auditada pela BDO, empresa especializada em auditoria e consultoria.

Imagens: Divulgação GNT / Arquivo pessoal de Pedro Andrade botao voltar

Rosângela Cianci

Rosângela Cianci. Jornalista, blogueira, repórter, apresentadora, produtora de TV e idealizadora do site Universo de Rose. Incansável observadora do cotidiano, apaixonada pelo que faz. Ex-Secretária Executiva, sempre lidou com Diretoria e Presidência mas prestes a completar Bodas de Prata na área, resolveu desengavetar um sonho antigo: o Jornalismo. E partiu pra nova luta com 40 (e uns anos), "pois meu negócio é escrever e conversar sobre assuntos de A a Z"...

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