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Cristiana Lôbo, nos bastidores da política há 37 anos, nos conta um pouco de sua rotina

 

Com passagens por jornais, TV, sites e blogs, ela acompanha a política brasileira desde 1982. Nascida em Goiânia, Cristiana dos Santos Mendes Lôbo se formou em jornalismo na Universidade Federal de Goiás. Cobriu os governos de João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Atualmente, comenta os bastidores de Brasília, as decisões do governo federal e as negociações com o Congresso. É palestrante de assuntos políticos e mercado financeiro.

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Cristiana Lôbo (chamada carinhosamente de “Loba” pelos colegas), está acostumada aos vendavais de notícias que assolam o Planalto Central. Nesses quase 40 anos de carreira, ela que já passou por veículos Folha de Goiás, O Globo, O Estado de S. Paulo, Jornal de Brasília, desde 1998 transformou-se em porta-voz da GloboNews sobre as informações que rodeiam o centro do poder. “São muitas notícias e reviravoltas num dia só. E, como estou em Brasília, tento explicar o que está acontecendo em nosso país. Isso às vezes começa bem cedo e só termina no fim do dia”.

Vencedora da categoria “Comentarista ou Colunista de TV” da 11ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA, a jornalista angariou 28% dos mais de 81 mil votos da premiação. Para ela, o resultado nada mais é do que reflexo de sua exposição na TV devido ao momento conturbado da política nacional. “Acho que a crise do país acaba dando uma exposição maior aos jornalistas que acompanham a política. E na GloboNews, que tem o slogan ‘Nunca Desliga’, isso acontece de forma ainda mais intensa”, diz.

 

Cristiana vê o Troféu Mulher IMPRENSA como “mais uma forma de reconhecer o desempenho das mulheres que precisaram trabalhar muito para chegar lá”. Não existem fórmulas prontas que possam resumir sua trajetória, mas ela dá uma dica: “Só vivendo muito para ver tudo o que já vi”. Bem-humorada, a nossa conversa ocorreu enquanto Cristiana Lôbo aguardava para entrar na festa da premiação, recentemente. Veja o que ela conversou com o Universo de Rose – rotina, mais jornalismo, o que rola por trás dos bastidores... Confira!

Universo de Rose – Cris, como foi seu início na Carreira de jornalista?

Cristiana Lôbo – Ainda na capital do país, fui repórter setorista de vários ministérios por dois anos. A experiência valeu uma visão detalhada de cada pasta. O desafio seguinte foi cobrir o Palácio do Plabalto. Em 1984, um novo rumo na carreira: o Congresso Nacional. Aproveitei para conhecer de perto e a fundo o trabalho de cada deputado.

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UR – Como você atua com as fontes das notícias no meio da Política?

CL – Quando critico um político, ele liga para dizer que não é bem aquilo. E quando elogio, de certa forma ele acha que você não está fazendo mais do que a obrigação. A sensação que tenho hoje é que lido com eles sem achar que o que dizem é uma verdade absoluta. Sempre ouço quem quer conversar comigo. Não se pode desprezar uma outra face da informação, senão você não vai captar o fato corretamente.

UR – E dentro de casa, o outro lado da mulher vem a pergunta que não quer calar (risos). Você sabe e/ou gosta de cozinhar?

CL – (risos) Olha, cozinhar eu não sou muito boa não, mas pra provar, sou uma beleza, viu? Acho que cozinhar é um dom, é absolutamente fantástico você juntar alguns ingredientes como farinha, ovo e leite e transformar num bolo gostoso, dou muito valor pra isso. Fui criada numa cozinha grande com minha mãe fazendo comida pramuita gente. A cozinha é uma arte. A cozinha é dom, ainda não perdi a esperança não, quem sabe?

UR – O que você faz pra manter a forma?

CL – Estou acima do peso há muito tempo (risos), mas agora tenho comedido um pouquinho aí, estou partindo para uma linha mais saudável. Eu sou goiana, a comida goiana é muito natural, a comida é feita em casa, as verduras, tudo feito em casa, é melhor. Pode ser isso aí, segurando um pouquinho a boca porque se for pela alegria eu sou meio gulosa (risos).

UR – Aproveitando que está recebendo um prêmio hoje, o que é um segredinho de felicidade pra você?

CL – Olha, fazer o que gosta. Eu acho que é o resultado de fazer o que eu gosto. Costumo dizer que trabalhar pra mim não é um trabalho, é uma diversão, uma realização, isso pra mim não é penoso, é uma alegria.

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UR – Como você foi parar na televisão?

CL – A chegada na tevê se deu na Globo News, enquanto fazia análises políticas e, ainda, coberturas especiais, como a eleição e posse da Presidente Dilma em 2010. Atualmente, sou contratada da Central Globo de Jornalismo e continuo dialogando com meus colegas do jornal O Globo e de outros setores da rede de televisão.

UR – Sabemos que um momento intenso na sua vida profissional foi a cobertura da Campanha por Eleições diretas no Brasil, em 1984. Por que?

CL – Ah, naquele tempo, não existia celular, nem internet, a única coisa que havia era um telefone que você apertava e a redação ouvia. Eles pediam 15 linhas, e a gente tinha de fazer o retrato daquele momento. O ritmo de trabalho não diminuiu no governo de José Sarney: No dia em que foi editado o Plano Cruzado de reforma da economia, por exemplo, eu tinha voltado da minha licença-maternidade. Saí de casa às 7h, voltei às 23h. Cheguei a ter febre. E nesse dia o bebê não mamou.

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Cristiana Lobo e Gerson Camarotti comandam grande parte do noticiário político - Foto: Reprodução

 UR – Outros momentos tensos?

CL – (risos). No governo Collor, lembro que as relações entre a cúpula e os jornalistas eram tensas. Um dia, no estreito corredor do prédio anexo do Palácio do Planalto, eu estava indo e o presidente voltando. Pensei: “Meu Deus, que sorte, vou fazer uma entrevista com o Collor.” Mas ele se virou para outro lado e a entrevista não saiu.

UR – Com tantos anos de carreira, você parece que está sempre em emprego novo...

CL – Mantenho o entusiasmo. Na passagem do governo de Fernando Henrique Cardoso para o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, trabalhei duro. Teve um dia em que fiquei no ar de manhã até a noite, porque a gente ia descobrindo quem é que saía e quem entrava. Era o paraíso para nós - notícia o dia inteiro. Para mim, melhor do que isso, só os filhos!

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UR – Desde que assumiu a política, percebeu muitas mudanças ao longo desses 30 e poucos anos?

 

CL – Fui me especializando em notas curtas – o que me ajudou, anos depois, no trabalho na televisão. Antes disso, após 13 anos em O Globo, com a transferência para O Estado de S. Paulo, observadora de fatos e tendências, continuei acompanhando de perto a vida política brasileira. Tivemos uma ditadura que interrompeu a formação de novos políticos. Viemos de uma economia fechada em que até posto de gasolina era uma concessão pública. E isto significava ter amigos no poder. Hoje, novos personagens com ideal político ainda não se estabeleceram. Talvez venha agora com o que chamo de geração de netos: o neto de Tancredo Neves, o de Miguel Arraes, o de Antonio Carlos Magalhães e o de Mário Covas.

 

UR – Como é vivenciar a faceta “nua e crua” da política brasileira - nos bastidores, quando o gravador é desligado, no cafezinho, no Congresso, ouvindo o que eles falam de verdade?

CL – Sinto não nos bastidores e nem no cafezinho, porque lá para eles (políticos) o mundo está tudo muito bom. É na rua que a gente vê. Nós, jornalistas, vamos trabalhar sabendo e contando com o fato de que qualquer cidadão hoje é um repórter. Todo mundo que tem um smartphone é um repórter. E já é há algum tempo. Às vezes, as pessoas avisam onde estão pelo Instagram. O Eduardo Campos falou uma vez que “O mundo está no sistema digital e a política ainda está no analógico”. Concordo! E não é só aqui, é em muitos lugares. A política ainda não entendeu a rapidez que as pessoas querem. Todo mundo quer correr atrás e, para isso, tem que ter estrada boa, transporte público, assistência à saúde. E nós, jornalistas, queremos chegar primeiro. E a política tem que correr para se atualizar. Todo dia de manhã eu penso em ser justa. E ser justa é enxergar a coisa nos seus diversos ângulos. O que aquilo representa para o conjunto da sociedade.

Fotos: Divulgação TV Globo/ Arquivo pessoal Cristiana Lôbo / Rosângela Cianci

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Nesses quase 40 anos de carreira, ela que já passou por veículos Folha de Goiás, O Globo, O Estado de S. Paulo, Jornal de Brasília, desde 1998 transformou-se em porta-voz da GloboNews sobre as informações que rodeiam o centro do poder.
Rosângela Cianci

Rosângela Cianci. Jornalista, blogueira, repórter, apresentadora, produtora de TV e idealizadora do site Universo de Rose. Incansável observadora do cotidiano, apaixonada pelo que faz. Ex-Secretária Executiva, sempre lidou com Diretoria e Presidência mas prestes a completar Bodas de Prata na área, resolveu desengavetar um sonho antigo: o Jornalismo. E partiu pra nova luta com 40 (e uns anos), "pois meu negócio é escrever e conversar sobre assuntos de A a Z"...

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