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Karina Oliani. Conheça a história desta médica (também) doutora em aventuras

Karina foi a estrela da capa da revista 29HORAS. Ela já escalou o Everest, mergulhou com tubarões e crocodilos e andou na asa de um avião em pleno vôo. E ainda nos conta muito mais de suas aventuras e carreira nada singelas

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Karina Oliani - Capa da revista 29HORAS, exclusiva do aeroporto de Congonhas

Médica, atleta, nutróloga e apresentadora de televisão. Nas horas vagas, também aventureira, montanhista, bailarina e pilota helicópteros. Além disso tudo, Karina é bastante engajada com causas sociais e atua como voluntária em vários projetos pelo Brasil e mundo afora. Ela já navegou durante semanas a bordo de um barco-hospital nos afluentes do Rio Amazonas e participou de atendimentos no sertão do Piauí.

 

Aos 34 anos, Karina Oliani abre o mesmo sorriso de criança quando relembra suas aventuras e histórias pelo mundo - que não são poucas e singelas. Essa paulistana que se formou pela Faculdade de Medicina do ABC, com pós-graduação em Medicina de Urgência e Emergência no Hospital Albert Einstein, e especialização em Medicina e Resgate em Áreas Remotas pela WMS, nos Estados Unidos está sempre em movimento – seja em solo firme ou nas alturas. Ela já esteve em mais de 80 países devido às suas profissões nômades: Medicina de Expedição, Apresentadora e Diretora de programas de televisão relacionados à expedições e aventuras extremas nos melhores cantos do mundo.

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Karina e Marcio Borges em vôo: Pedra Bonita- São Conrado, RJ

Nascida em São Paulo, Karina cresceu em ambiente familiar que apoiava seus passos e que lhe trouxe ensinamentos para ir atrás de seus sonhos desde garota. Estudou medicina e se preocupa com qualidade de vida. A médica é movida por grandes desafios e é uma grande aventureira. Um dos mais recentes foi o impressionante mergulho que fez com tubarões, em um santuário das Bahamas. Com o objetivo de alertar as pessoas sobre a extinção desses animais, que têm um papel essencial no equilíbrio dos oceanos, ela convidou o amigo e fotógrafo Alexandre Socci para clicá-la no fundo do mar, toda produzida com vestidos do estilista Arthur Caliman – e com cinco quilos de lastro na cintura e sem máscara.

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Karina em ensaio nas Águas Selvagens no "Santuário de tubarões" nas Bahamas

 

Entre outras proezas, Karina foi a mulher brasileira mais nova a alcançar o pico mais alto do planeta, o Monte Everest, na Ásia. Também já escalou os montes Aconcágua, nos Andes Argentinos; Kilimanjaro, na África; e Elbrus, na Europa. Além de viajar com o marido pelo mundo afora, Karina também comanda, desde 2009, a produtora Pitaya Filmes, que cria diversos programas de aventuras para a TV. Seu portfólio é composto pela série “Do Jeito Delas”, transmitido pelo canal Off, no qual compartilha momentos de suas viagens com a irmã Nathali. Os projetos na TV incluem também apresentação das séries “Águas Selvagens”, veiculada pelo canal Off, e “Missão Extrema”, do Discovery Channel, além de participação no quadro “Aventuras Urbanas”, do programa “Esporte Espetacular”, da Rede Globo. Nele, que inicia a segunda temporada em setembro, fez coisas como participar de um voo com astronautas em Bordeaux, na França, testando gravidade zero, e andar na asa de avião em plena acrobacia – o chamado wingwalk, um dos esportes mais perigosos do mundo.

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Em 2014, Karina foi premiada pelo Congresso Nacional de Recursos Humanos (CONARH) pela palestra “Qual é o seu Everest?”, em que falou sobre valores como pioneirismo, coragem, planejamento estratégico, trabalho em equipe, gerenciamento de riscos e motivação. “Fico emocionada quando recebo mensagens de pessoas dizendo que conseguiram escalar o ‘seu Everest’. Cada um tem o seu, o importante é seguir em frente, com garra e determinação”, declara.

 

Veja mais algumas particularidades desta “jovem médica aventureira” mas com muito amor, responsabilidade e experiência para compartilhar conosco. Confira!

 

Universo de Rose – Qual a sua fonte de inspiração, Karina?

 

Karina Oliani – Desde criança, na piscina da casa de meus pais, eu pegava o rodo, uma câmara de pneu e passava o dia “atravessando o Atlântico”. Eu era a única das três irmãs a descer de patinete uma rampa muito inclinada para a garagem. Aos sete comecei a surfar; aos 12, fiz meu primeiro salto de paraquedas (duplo) e conclui o curso de mergulho autônomo. Aos 17, já era bicampeã brasileira de wakeboard; anos depois fui tricampeã em snowboard e recordista em mergulho livre (apneia). Água. Está aí o meu elemento preferido. Eu medito fazendo apneia! Eu sou zero chique para qualquer coisa, mas eu tenho que ter em casa uma pocinha para me afundar e fazer minhas apneias (a ‘pocinha” é uma banheira em que mergulha quando está cansada. Karina chega a ficar até quatro minutos e meio debaixo d’água, mas em casa a sua apneia é mais terapêutica do que técnica, apenas com o intuito de acalmar).

Na imagem, cenas da 1ª temporada do "Aventuras Urbanas" para o Esporte Espetacular

 

UR – O que você sentiu ao pisar no topo do mundo, o Monte Everest?

 

KO – Primeiro, a gratidão por estar viva. Depois, um alívio, porque estava cansada e quase congelada. E o terceiro sentimento foi de realização. Foram 55 dias de expedição e a escalada ao cume durou seis dias. Havíamos passado a noite na “zona da morte”, esperando uma tempestade ir embora, com ventos a 120 km/h...

 

UR – Como surgiu essa ideia – já que você é a brasileira mais jovem a conseguir essa proeza?

 

KO – Escalei o Everest com Pemba Sherpa, meu amigo e guia desde os tempos em que trabalhava como médica contratada de um grupo de escaladores norte-americanos. Naquela época eu tirava todas as minhas folgas de trabalho para escalar, e ficava planejando a chegada ao cume. Em 2014, houve uma avalanche no Monte Everest que matou 18 pessoas. No ano passado, em abril, o Nepal passou pela maior catástrofe de sua história, com milhares de mortos. Angustiada com a situação, peguei minha “mochilinha médica, coloquei o máximo de equipamentos que podia lá dentro, e me juntei a outros quatro médicos brasileiros para ajudar as vítimas da tragédia. Lá encontrei o Pemba Sherpa, que me disse: “Esse ano, minha amiga, nós vamos escalar um Everest (o pico mais alto do planeta, com 8.844 m de altitude) ainda maior”. E fomos caminhando para as vilas que ainda não tinham recebido atendimento. Nessas horas eu amo mais ainda ser médica. Por isso, não abro mão de trabalhar como voluntária em projetos sociais.

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Karina com a onça Jiquitaia, símbolo do Comando Militar da Amazônia, em Rio Negro - Amazonas

 

UR – Você já escalou outras montanhas. Como foi? Pretende continuar?

 

KO – Agora pretendo terminar os “sete summits”, as montanhas mais altas dos sete contientes. Já fiz quatro: além do Everest, escalei o Kiliman jaro (2009), o Aconcágua e o Elbrus (2011). Saímos de lá às 20h de 16 de maio e chegamos no cume no dia 17, às 7h38. Escalamos mais de 12 horas com menos 42 graus. Fiquei três anos ouvindo não de empresas, que não botavam fé em mim por não ser “forte e barbudo”. Então essa sensação foi boa. Por isso, valorizo muito os patrocinadores que tenho hoje, que são a Mitsubishi, a Puma e a academia Mockba.

 

UR – Outro fato recente e inédito seu e que rendeu foi o ensaio num mergulho em um santuário de tubarões... como foi isso?

 

KO – Pensei em fazer esse ensaio depois de um ataque de tubarões em Fernando de Noronha. As pessoas começaram a falar mal dos tubarões, dizendo que eles tinham que sumir dos mares, e isso é terrível. Esses bichos estão na superfície da Terra há mais de 400 milhões de anos, enquanto nós estamos há apenas 200 mil. Todos os anos, cerca de 100 milhões de tubarões são mortos pela indústria pesqueira, um número assustador e que deixa os oceanos doentes.

 

UR – Como você descobriu a paixão em voluntariado por Missões?

 

KO – As missões em países da África são minha grande alegria. Trabalhei no projeto Cure Blindness, de preparação para cirurgias oftalmológicas, em Ruanda; atendi na Etiópia e me preparo, em novembro, para visitar algumas vilas de Gana, na África Ocidental. Passar por essas experiências muda todas as referências. E tudo na vida é uma questão de referência. A gente reclama muito da vida, do chefe, do salário, do celular. E quando você vai para um lugar em que as pessoas não têm o básico do básico do básico, você simplesmente fica grata por tudo o que tem, e que é muito mais do que a gente precisa   (reflete Karina, que se diz tomada por uma imensa alegria quando ajuda as pessoas). A alegria é tão verdadeira e forte, que eu não tenho dúvidas de que essa é a minha missão.

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Dra. Karina Oliani: primeira médica na América Latina, certificada em resgates em áreas remotas

 

UR – Como sua família lida com suas aventuras?

 

KO – A família Oliani apoia a primogênita em tudo o que ela faz (risos). Meus pais, João Lourenço e Regina, e minhas irmãs, Carol e Nathali, são fãs e incentivadoras, embora às vezes sofram com algumas de minhas aventuras. Meus pais choraram quando eu fui fazer o Everest, por exemplo, é natural. Mas me dão apoio porque sabem que sou muito determinada. Sou assim desde criança. Quando quero algo, não sossego enquanto não consigo”.

 

UR – Meio complicado ter tempo (e pique) para fazer tantas coisas. Como você administra tudo isso?

 

KO – O fato de morar a menos de 800 metros da casa de meus pais, e a um quilômetro de uma de minhas irmãs, a Nathali - que também é médica, ajuda bastante. Como eu viajo muito, quando fico aqui o meu tempo é só pra eles, porque sinto muita saudade. Só em 2015 visitei 20 países; já nesse ano devem ser 22. Sou casada há seis anos com Marcelo Rabelo, executivo do mercado financeiro que conheci em baladas de dança de salão. Começamos rodopiando como amigos, depois formamos dupla profissional, competindo em várias modalidades da dança, e agora somos um par feliz não só na pista - risos. Eu o puxei para o esporte e a aventura. Fui a instrutora dele de mergulho e escalamos juntos o Monte Elbrus, na Rússia, a montanha mais alta da Europa.

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Karina e Marcelo, seu marido para matéria da @Carasbrasil

 

UR – Qual o sentido da vida pra você?   

      

KO – Para mim o maior sentido da vida na Terra é aprender. Há alguns anos, tenho compartilhado meus aprendizados com profissionais de diversas áreas. Em 2014, minha palestra “Qual é o seu Everest?” foi uma das premiadas pelo CONARH, maior evento latino-americano de recursos humanos e gestão de pessoas. Com o recurso de fotos e vídeos, falo sobre valores como pioneirismo, coragem, planejamento estratégico, trabalho em equipe, gerenciamento de riscos e motivação.

 

UR – O mais te emociona nesse planeta que você tem explorado tão bem?

 

KO – Fico emocionada quando recebo mensagens de pessoas dizendo que conseguiram escalar o ‘seu Everest’. Cada um tem o seu, o importante é seguir em frente, com garra e determinação. Lembro-me que após escrever meu projeto de escalada ao pico mais alto do planeta, fui atrás de 300 empresas para apresentá-lo e mostrar que podiam investir suas marcas. Fui recebida somente por dez, e quatro resolveram me apoiar. Isso me mostra a importância de acreditar nos sonhos e ser perseverante sempre.

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Em Marrocos com seu marido, Marcelo Rabelo (Foto: ViagemMarrocos)

 

UR – Projetos novos?

 

KO – Estou me preparando para estrear, em setembro, uma nova aventura televisiva, no Discovery Channel, no qual levarei celebridades para experiências radicais em florestas. Tem de cruzar canyons, construir abrigos, achar comida e água. O objetivo é se superar sempre - além de aprender e se divertir (risos).

 

SOBRE A 29HORAS: No mercado desde 2009, a revista 29HORAS é uma publicação mensal dirigida exclusivamente aos passageiros que embarcam e desembarcam no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Auditada pela BDO, empresa especializada em auditoria e consultoria. Como em todos os meses, a revista ainda traz a diversificada agenda 29HORAS com um guia completo com mais de 100 programas para todas as horas do mês, com shows, teatro, cinema, passeios e um tour gastronômico pela cidade de São Paulo. A revista conta com circulação de 65 mil exemplares a cada edição.

 

Crédito Imagens: Divulgação Revista 29HORAS / Reprodução Instagram de KarinaOliani botao voltar

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Rosângela Cianci

Rosângela Cianci. Jornalista, blogueira, repórter, apresentadora, produtora de TV e idealizadora do site Universo de Rose. Incansável observadora do cotidiano, apaixonada pelo que faz. Ex-Secretária Executiva, sempre lidou com Diretoria e Presidência mas prestes a completar Bodas de Prata na área, resolveu desengavetar um sonho antigo: o Jornalismo. E partiu pra nova luta com 40 (e uns anos), "pois meu negócio é escrever e conversar sobre assuntos de A a Z"...

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