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Maria Casadevall, conta sobre ser feminista, vegetariana e dos trabalhos na TV e Teatro

Filha da advogada Teresa Cristina Burza Casadevall, a quem prefere chamar de Geni – apelido para genitora –, e do empreendedor e ex-piloto de Fórmula 3 Fábio Ayrton de Oliveira Gonzaga, Maria Carolina teve uma infância feliz e comunitária: no prédio em que morava havia muitas crianças e todas brincavam juntas na área comum. Foi  nessa época que ela e as amigas inventaram a companhia de teatro “Garotas Papillon” para brincar de ensaiar eapresentar peças para os moradores do edifício.

 

Após o colégio, a fã de Truffaut, Coppola e Bertolucci fez faculdade de Rádio e TV, a qual detestou, mudando assim  para jornalismo, curso com o qual se identificou por gostar de escrever e por amar as palavras de forma quase religiosa. Mas na metade dagraduação Maria já estava inundada pelo universo cênico, descoberto em cursos e a partir do contato com  os palcos e companhias da Pça. Roosevelt. “Nesse momento comecei a entender que em cena eu poderia fazer o que queria, que era juntar o corpo, a palavra e a imagem e, enfim, decidi que queria estudar teatro a fundo”, sintetiza a artista, que integra a companhia de teatro satyros desde 2008.

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Após peças como “Roberto Zucco” e “Haiti somos nós”, as novelas “Amor à vida” e “I love Paraisópolis” e a série “Lili, a ex”, em abril Casadevall embarcou em mais dois projetos, no ar na Rede Globo: a supersérie “Os dias eram assim”, na qual interpreta Rimena, uma médica chilena envolvida com a causa humanitária em meio às dita duras da América do Sul, e a minissérie “Vade retro”, com a misteriosa personagem de cabelos azuis meio humana, meio deusa chamada Lilith.

 

Os projetos do semestre da jovem se estenderam para fora da TV e em maio ela filma rá o longa-metragem “Mulheres alteradas”, sob a direção de Luis Pinheiro, o mesmo diretor com quem trabalhou na série “Lili, a ex”. Nessa altura do texto, e com trabalhos em tantos formatos diferentes, cabe dizer que uma das características que acompanham Maria desde sua infância é a vontade de inventar e experimentar. Exemplo disso é a  sua página no Instagram, repleta de artes gráficas, criações textuais próprias e vídeos com minúcias do cotidiano.

 Quando questionada sobre a preferência entre trabalhos no teatro ou na TV, a atriz esclarece: “A TV foi uma surpresa de percurso, não era uma meta. Hoje a minha vontade é estar em cena, seja no cinema, na TV ou no teatro”.  Maria, que atuou em “A ordem do caos... Ou” – curta-metragem de Fernando Leal selecionado para o festival de Cannes na categoria Short Film Corner explicita que, independentemente da plataforma, escolhe os trabalhos com a mesma cautela. “Primeiramente eu me pergunto: ‘o que estou lendo mexe comigo?’ Se me provoca alguma coisa, é capaz que provoque nos outros também. O segundo passo é: ‘eu gostaria de contar essa história? Por quê?’”

Debruçada sobre o texto ao longo de dias, Maria também revela que o processo  de desenvolvimento em relação aos projetos acaba acontecendo de forma bastante solitária.

Solidão e silêncio costumam ser estados aflitivos para todos. Maria vai na contramão. Atriz revela que tem um fascínio misterioso pelo silêncio: “Ele provoca em mim um estado de natureza, de essência, que às vezes fica distante em meio ao cotidiano”. Confira o bate-papo:

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Universo de Rose – Maria, como você descobriu a sua paixão pela atuação?

 

Maria Casadevall – Na região da Praça Roosevelt, no centro paulistano, onde ocorreram meus primeiros contatos com os palcos e companhias de teatro. Nesse período comecei a entender que em cena eu poderia fazer o que queria, que era juntar o corpo, a palavra e a imagem e, enfim, decidi que queria estudar teatro a fundo. Integro a companhia de teatro Satyros, desde 2008.

UR – “Decorar” nunca faz parte dos seus processos de ensaio e preparação, como assim?

MC – O que existe é um entendimento que vai se dando entre mim e o texto, por conta da convivência quase diária que me obrigo a ter com ele, desde o momento em que recebo os primeiros escritos. Aos poucos, aquelas palavras se tornam parte orgânica da criação.

UR - Quais são seus segredinhos para manter a boa forma e a saúde em dia?

 

MC – Mente quieta, espinha ereta e o coração tranquilo. Faço muita caminhada, procuro manter meu corpo sempre em movimento. Às  vezes pratico Yoga, Pilates e ainda ando de bicicleta. Eu me alongo todos os dias, já fiz contorcionismo em uma época em que frequentei uma tenda de circo. Fazia balé quando era mais nova e ginástica olímpica. Eu tenho uma flexibilidade natural, mas sempre desenvolvi isso.

 

UR – Você é vegetariana fiel?

 

MC – Sim, sou vegetariana desde os dezesseis anos. Conforme você vai agindo de maneira diferente no seu cotidiano, as pessoas ao redor vão notando essa transformação de hábitos e isso acaba virando uma corrente. Essas mudanças estão associadas a uma tomada de consciência  política. A gente faz política a todo momento na vida, nossas escolhas são políticas.

 

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 UR – Além da revolução na alimentação sem carne, você defende a luta das mulheres por liberdade e igualdade de gênero. Como é isso?

 

MC – Se ser feminista é acreditar que a mulher pode ser o que ela quiser, desde que a escolha parta sempre dela mesma e que as oportunidades oferecidas sejam as mesmas dadas aos homens, sim, sou feminista. Para alcançar essa e outras mudanças, levanto a bandeira da empatia, do conhecimento, da tolerância e do diálogo.

 

UR – Atenta aos seus hábitos,  é sabido que você também evita o consumo exacerbado...

 

MC – sim, reinvento as próprias roupas, frequento brechós, sou supercuriosa quanto aos guarda-roupas coletivos e, quando preciso comprar algo novo – seja uma peça de roupa, um acessório, um patê ou um disco –, priorizo pequenos produtores nacionais preocupados com a sustentabilidade e as condições de trabalho de todos os envolvidos no processo.

 

UR – Conte-nos sobre esse fascínio misterioso pelo silêncio...

 

MC – Uma vez escrevi: ‘num dia de muitas palavras acontece a despoesia’. O silêncio provoca em mim um estado de natureza, de essência, que às vezes fica distante em meio ao cotidiano. Essa, inclusive, foi uma das razões que a me levou a experimentar, no ano passado, um retiro de silêncio de dez dias em Córdoba, na Argentina. Poder praticar o silêncio por dez dias e ao mesmo tempo estar em convivência coletiva, inclusive de divisão de tarefas, sem contato nenhum com o meu mundo aqui fora, foi, em conjunto ao aprendizado de uma técnica rígida de meditação, uma combinação bastante poderosa. Uma experiência transformadora de autoconhecimento e disciplina.

 

A revista 29HORAS, publicação gratuita e oficial do Aeroporto de Congonhas/SP, destaca em sua reportagem de capa entrevista exclusiva com Maria Casadevall. A atriz de 29 anos de idade, que estreou em televisão em 2011, na minissérie “Lara com Z”, na Rede Globo, teve seus primeiros papéis de destaque nas telenovelas “Amor à Vida” (2013) e “I Love Paraisópolis” (2015).No mercado desde 2009, a revista 29HORAS é uma publicação mensal dirigida exclusivamente aos passageiros que embarcam e desembarcam no Aeroporto auditoria e consultoria, a revista conta com 65 mil exemplares a cada edição.

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Rosângela Cianci

Rosângela Cianci. Jornalista, blogueira, repórter, apresentadora, produtora de TV e idealizadora do site Universo de Rose. Incansável observadora do cotidiano, apaixonada pelo que faz. Ex-Secretária Executiva, sempre lidei com Diretoria e Presidência mas prestes a completar Bodas de Prata na área, resolvi desengavetar um sonho antigo: o Jornalismo. E parti pra nova luta com 40 (e uns anos), pois meu negócio é escrever e conversar sobre assuntos de A a Z...

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